quinta-feira, 18 de setembro de 2008

outras aventuras: estranhamento




Após a excelente aula de hoje, dada por um professor incrível – grande intelectual, cuja erudição se expressa através de uma espécie de carisma, um charme civilizador –, conversávamos sobre as impressões que cada um de nós – jovens e empolgados estudantes – tínhamos a respeito de tais aula e professor.

Uma colega de turma emitiu seu juízo: “Queria ter uma pessoa como ele na família!”

Muitos talvez não entendam meu estranhamento, mas fiquei intrigado por pensar que esta era uma possibilidade que jamais figuraria no elenco dos anseios que aquela aula tão estimulante provocava em mim. O que torna tal desejo estranho, quase incômodo, não é o fato de que ele pareça pouco plausível, impossível de ser satisfeito, mas a constatação de que ele nem mesmo chegaria a se configurar em nível hipotético.

Não imagino aquele erudito simpático compartilhando de minha intimidade tão vulgar, entre a novela das oito e minhas leituras de banheiro.

Concluo que eu e a nobre colega de turma viemos de lugares diferentes; muito distantes.

Um comentário:

Andre Luis do Nascimento disse...

hahahahahahahahaha ótimo! Muito bom! Dabô em prosa, fantástico! Adorei. rsrs