quinta-feira, 2 de outubro de 2008

outras aventuras: a palestra


(foto: Thiago Aquino)

Após a palestra, a mesa abriu-se às questões do público. Uma moça ergueu a mão e começou sua intervenção afirmando que não tinha capacidade para entender a fala do palestrante em sua totalidade. Em seguida fez sua pergunta, a qual o conferencista respondeu de bom grado. Todos os demais mantinham o semblante concentrado de quem está prestes a ter uma grande idéia.

Durante o coquetel que encerrava o evento, alguns poucos confessavam, à meia-boca, que não haviam compreendido muita coisa da palestra. Outros tantos desfraldavam em voz alta suas interpretações profundas que jamais coincidiam com as análises do vizinho. O próprio palestrante estava vermelho de vinho, com o olhar meio perdido que parecia se embaralhar nos labirintos de sua confusa teoria.

A tal moça fora a única pessoa sincera naquele auditório.

Um comentário:

Charlotte disse...

Gostei muito da tua prosa e sobretudo da tua poesia - forma e conteúdo. Supresas que me chegam do outro lado lado do Atlântico, logo no primeiro blog brasileiro que visito.

Parabéns!