quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

minutos de frivolidade: XV


(foto: thiago aquino)

Neste 02 de setembro,
Terça-feira,
Os faróis revelam silhuetas febris
Que percorrem as filas diante do sinal fechado
E limpam os pára-brisas que acumularam a fuligem do dia.
Recebem algum trocado em vista desse favor.

Nas calçadas das milhares de ruas
Dessa cidade hemorrágica,
Muitos já buscam se misturar às sombras
E constroem paredes imaginárias
Ao redor de seus leitos de chão.
Os ratos, as baratas e o esquecimento
São os guardiões da noite insone.
Depois de lutarem madrugada afora
Contra a dor e o medo,
Muitos sucumbirão
E estarão a dormir à luz do dia
Sob a calma do abandono de si mesmos.

Nos bares, nos puteiros e nas bocas de fumo
Muitos outros cunham a moeda
Que tem o prazer numa face
E o desespero na outra.

Outros planejam o dia seguinte
E fabulam uma manhã em cores pálidas.
Muitos outros sentem-se perdidos
Outros ainda pensam estarem certos a respeito de tudo.
Depois outros e depois destes
Muitos outros ainda
Pensam, sentem e falam
Muitas outras coisas.

Nosso miserável planeta,
Depois de seu imenso esforço orbital,
Atira o máximo de sua sombra ao único corpo celeste
Que toma conhecimento de sua irritante existência.

A resposta vem com um sorriso
Discreto
Cínico

Lunar.

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