terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

minutos de frivolidade: XIX


(foto: thiago aquino)

Eu quero comer um pote cheio de delicado
Um prato fundo de jasmim.
Eu quero comer um jardim
E restar baldio, ensolarado.

Vide a mim toda calma que não seja fastio
Qualquer pedaço de lenta fruição
Uma fatia comestível de canção
Um naco de céu, flambado, no estio.

Eu quero beber um oceano de calmaria
A fonte do significado
Um barril de sagrado
O manto da Virgem Maria.

Eu quero comer o inconcebível
Uma colher de chá de eterno
Um tonel de leite materno
E um caldeirão de sopa de impossível.

4 comentários:

jaqueline gomes disse...

ao ler isso aqui era como as palvras saissem de mim com autenticidade, nesse momento pareciam mais minhas que tuas.

talvez seja isso que caracteriza uma poesia.

André D'Abô disse...

olá jaqueline,
fico contente que tenhas tido como tuas estas palavras... sinto-me efetivamente lido.
um abraço.

pé-de-feijão disse...

Fala André! Tudo bem, meu poeta?! Como a nossa vizinha aqui de cima, a Jaqueline, também devo dizer que me senti inebriado com a sua poesia (parabéns, essas páginas ficam a cada dia melhores!). Obrigado pela visita ao Museu das Novidades, seja sempre muito bem-vindo. E, pelo seu comentário, vejo que também se arriscou na cozinha, certo?! E então, qual o resultado? Espero que menos desastroso que o meu ahahahaha. Em breve trarei novas (e arriscadas) delícias degustáveis. Um grande abraço, saudades de vocês, João.

André D'Abô disse...

olá joão,
obrigado pelo seu comentário. fico feliz por ter neste espeço um pequeno ponto de encontro com amigos que andam por aí nesse mundinho maluco.

quanto às aventuras culinárias, confesso que ainda estou tomando coragem para encarar aquela receita mega-audaz de maionese (é muita adrenalina!)... mas mande outras. serão francamente degustadas (mesmo que apenas literariamente).

um grande abraço.