quinta-feira, 26 de março de 2009

minutos de frivolidade: XX


(foto: thiago aquino)

De tanto descrevermos como as coisas são
Todas as coisas deixaram de ser.
Restou a opacidade plena.

Na oficina do engenho
As ferramentas acumulam poeira.
A paisagem perdeu sua vertiginosa mobilidade

E todos os pontos
Observam imóveis seus devidos lugares
Nas coordenadas e abscissas.

E como nada mais era inventado
Nada se dava a ver
Aos olhos que buscavam o que é.

Ao se falar de uma cadeira
Eram encontrados os mesmos atributos
De um homem bom ou do melhor governo

Caiu sobre todas as coisas
O véu branco
Da semelhança absoluta.

Interrogada aquela pedra,
Não houve resposta
E ela sequer ficou no caminho.

3 comentários:

Camolas disse...

Regresso à beleza das coisas simples e humanas, saudades dos trabalhos manofacturados em que a especificidade do artesão e a beleza da peça eram garantia de eternidades

Thá disse...

Oi, André.
Sempre me emociono quando escuto "Espelho". É inevitável... Olha, vontade de voltar ao Rio, não falta, viu? Muito provavelmente estarei por aí este ano. Podemos marcar alguma coisa, sim.
Ah, mas já que estamos falando do Rio, vou pedir a sua ajuda: quero muito desfilar pela Portela um dia na minha vida. É muito impossível?
Beijos!

André D'Abô disse...

caro camolas,
tenho saudades destas coisas também. o regresso ao simples é a busca, acredito que busques isso com sua bicicleta também.

olá, thá.
mobilizarei ao máximo minhas raízes cariocas para ver o que posso fazer em relação à Portela.
um grande abraço e até um próximo encontro.