sábado, 18 de abril de 2009

minutos de frivolidade: XXI


(foto: thiago aquino)

O mar sem pele

E eu sem unhas.

Tudo era liso e fluido

E eu vagava pelas águas
Do mar infindo.

Da queda nesse abismo líquido

Não resultou nenhuma vertigem.
Nem mesmo a sensação da queda havia.

E tudo aquilo que tem relevo
Crispou-se e azulou-se
De uma luz tardia e fria.

A água se fez tecido
E era lençol e colcha
E fronha e os cabelos de Isis.

E era o ventilador ventando

E a luminária e o relógio de parede.

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