quarta-feira, 22 de abril de 2009

outras aventuras: o pacto

Na mesa daquela lanchonete, firmamos um pacto. Todos os dias 13 de maio dos anos terminados em 8, até o final de nossas vidas, nos encontraríamos, às 10 horas, na porta daquela escola. Guardei o precioso documento, que lavramos em guardanapo, em meu relicário. Às vésperas do 13 de maio de 2008, data do primeiro encontro pactuado – dez anos passados – estive às voltas com a idéia de cumprir o pacto, de ir à porta da escola esperar meus amigos, aqueles tão queridos amigos que eu não via há muito, que eu não sabia se lembravam de nosso pacto. Quem seriam, hoje, aquelas pessoas que – diante da fugacidade e da urgência de suas adolescências vividas aos gritos, aos urros – deram de fazer pactos que duram para sempre? Tive medo de ir ao encontro e não encontrar ninguém. Tive vergonha de acreditar ainda nessas coisas que inventamos. Tive mais vergonha ainda quando deixei de acreditar. Não fui ao encontro e não sei se alguém foi.

No último domingo, encontrei Gleise no intervalo de um espetáculo de dança. Foi ótimo revê-la. Falamos um pouco apressadamente antes que terminassem os vinte minutos do intervalo. Não lembrei de comentar do pacto, ela tampouco o lembrou. Mas isto me fez pegar novamente aquele guardanapo velho que hoje eu escavo de meus guardados e reler a letra arredondada do Zé (a mesma com a qual me dedicou textos que guardo no mesmo lugar).

Vai aí abaixo um pedaço da minha alma.
Vai uma saudade imensa daquele Zé, meu caro Amarildo Amarelo, que se chamava José Washington, de nome José “Ganja Morrison”, daquela Gleise, Gleise Nana, Gleise “Vermelha”. Vai uma saudade de mim mesmo, desse André Luiz de Jesus Rodrigues, chamado André D’Abô, de nome André “Pink Floyd”.



5 comentários:

Camolas disse...

Os pactos são para cumprir Meu Caro! Para fugir deles já nos bastam os politicos

Charlotte disse...

Achei o pacto uma ideia deliciosa, mesmo com poucas possibilidades de se cumprir. O importante foi mesmo todos vocês terem acreditado que, 10 anos passados, estariam ali, como se nada tivesse mudado.

A adolescência é um período lindo da vida. De ingenuidade, de descoberta, de todos os sonhos por cumprir. Tenho também muitas saudades da minha e percebo que sintas falta desse André que fazia pactos acalorados. Depois crescemos e se ganhamos alguma sabedoria, muitas vezes perdemos a capacidade de nos atrevermos.

Depois de algum silêncio, deixo um abraço

André D'Abô disse...

caro camolas,
eis uma verdade. que sejam cumpridos os pactos.

cara charlotte,
acho que ao mesmo tempo que sinto falta daqueles tempos da adolescência, fico contente com a passagem do tempo. aqueles momentos estão aqui ainda. às vezes guardados no relicário, às vezes trazidos à superfície para oxigenar os ares de dias mais difíceis e compartilhar com antigos e novos amigos.
um grande abraço.

Michel Lima Ferreira disse...

Caro André,   

É realmente uma grande alegria contatá-lo novamente. A final já fazem quase dez anos que não nos falamos. Muitas coisas mudaram desde nosso último contato. Achei realmente fascinante a tua poesia. Você realmente tem muito talento. Meus humildes e sinceros parabéns. Visto ser este um espaço relativamente público, segue na mensagem meu endereço eletrônico para que possamos conversar mais amplamente.Saudações,

Michel L. Ferreira.

rafael disse...

Andre,

Em 2018 aonde mesmo? Eu carrego a presença.

Saudades d´algum CEFET,

M.