sexta-feira, 1 de maio de 2009

minutos de frivolidade: XXII


(foto: thiago aquino)

Não quero que ninguém mais colonize meu mundo.

Tudo o que vêm de outra língua
Eu provo a contragosto e entre ruídos
Como sussurros ou gemidos pouco compreensíveis.

Em rasas trincheiras
Eu finco meu fundamentalismo vira-lata.
Lanço raízes no ar,
Laço líquidos nós.

Guardei aqui minha casa
E nela meus amigos.
Da mulher que amo fiz casa, jardim e bairro.
Fiz cama e cores e tempo.

De tudo isso, inventei uma idéia nova

Que chamei de amor
E que animou todos os corpos
E deu de ver aos olhos e de sentir à pele.

Um gosto em cada coisa
E muitos cheiros
Que vêm em palavras,
Em frases, em versos, em idioma.

5 comentários:

Pata Negra disse...

Porra Abô, assim cantando você ainda vai acabar sendo poeta! Que dor você vai sentir, nem queira saber!
Um abraço de quem perdeu o estado de poesia

Camolas disse...

Gostei do fundamentalismo de "vira-lata".Que não massifiquem a especificidade de cada ser-humano.
Abraços

André D'Abô disse...

caro pata:
acho que não tenho mais volta... já sinto algumas dores.
um grande abraço.
ps - espero que o estado de poesia te encontre novamente qualquer dia desses.

caro camolas:
guardemos nossos tesouros nestes fundamentalismos... enquanto a fábrica de gente ainda não entrou em funcionamento com a nanotecnologia, fundemos nossos fundamentalismos.
grande abraço.

Andre Luis do Nascimento disse...

És um fundamental fundamentalismador. E o pior é que tem fundamento! rs
Parabéns, meu amigo. És de fato acentuado.

André D'Abô disse...

caro andre:
bom que estejas por aqui. lá no "paisagem pra quê?" tenho tido bons momentos também.