sábado, 31 de outubro de 2009

minutos de frivolidade: XXVI




Preciso, talvez, de

alguém que me conte
sobre verdes campos.
A morada das almas.
Onde tenha um adro
de pedras gastas
todo perfumado daquele
cheiro bom que escorre
das telhas em dia de chuva.
Que seja o reino
da verdade, por ser
o que possa haver
de mais idêntico ao sonho.
Uma frase, o sopro
perene do esquecimento:
tudo infância e repouso,
mesmo correr de pés descalços.
Porque só há como
suportar o cansaço
dos olhos e das mãos,
dando forma ao impossível.
Por isso dormem as crianças
Por isso despertam os adultos.
Por isso eu tenho sono.

Ouvi um homem dizer
que diante do amor
e da morte, nada
pode ser dito.
Por isso eu me calo.

4 comentários:

Kelly disse...

Dê, o amor que tens pelas palavras também dá forma ao impossível. Parabéns, meu irmão poeta.

Anônimo disse...
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isis disse...

Mestre da poesia... Te amo Isis

Andre Luis do Nascimento disse...

Caralho seu filho da puta, você é poeta mesmo hein! hahahahaha

Te amo, meu irmão, adorei o poema.