sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

minutos de frivolidade: XXVIII




Talvez os astronautas
não tenham conseguido
ler nas nuvens,
estendidas de azul
a azul
os veios
- tão óbvios –
de Aqueronte e
Aquerúsia. Distraídos,
de tanto negro
e de muita légua,
não viram os
assassinos
lançados no Tártaro
ou no Cocito.
A fila dos maus filhos
Rumando para
Periflegeteonte
também passou
despercebida.
Afogados
de luz e sombras,
só puderam ver o azul
e replicar o espanto
de Tales, desastrado,
ao cair em um buraco.

Do primeiro filósofo
ao último cosmonauta,
vale o que sonhamos
sobre o caminho
das almas.
Vale mais o que
os olhos não podem ver.
O que as mãos não podem
tocar.
Vale mais um segundo,
em silêncio, sentindo
o cheiro do mar.
Vale mais um acorde
que se acomoda
como um felino
na mais improvável
cavidade do peito.

Vale mais
a imprecisão
de navegar.

4 comentários:

Pata Negra disse...

Vale mais não dizer nada quando acabamos de ler a poesia.
Um abraço de aquém mar

André D'Abô disse...

caro pata:
fico grato por sua nobre visita. um grande abraço.

Fabiana disse...

Outro abraço de aquém mar.

Bom te ler, Andre.. Parece que a saudade diminui... Beijos enormes!

André D'Abô disse...

fafá!! que alegria você por aqui!!!
beijos. muita saudade!!