sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

minutos de frivolidade: XXIX



Escrevo no estio
Na avenida vazia
E massacrada pelos pés
Dos foliões de anteontem.

Girando mais depressa
As voltas da folhinha,
Eu antecipo as cinzas da quarta-feira
E prolongo o tempo de ficar mudo.

Nas frestas do calçamento
Já crescem algumas folhas miúdas
– de dormideira e de quebra-pedra –
Que haviam sido esmagadas, junto com a poeira.

Os americanos descobrem água gelada
Em uma das luas de Saturno.
Aqui, as mesmas rodas famintas
Prosseguem devorando borracha e asfalto.

A cidade transpira suas agonias.
Eu viro mais dois copos na Gomes Freire
E aguardo notícias de dois versos
Que vêm de ônibus de algum subúrbio.

O poema nunca termina.
Foi-se a caneta. Foi-se a semana.
Foram ver de qual lugar misterioso a vida emana
E restaram perdidas no azul tardio de uma cidade submarina.

4 comentários:

Camolas disse...

"...no azul tardio de uma cidade submarina."

Com esta me desarmaste.

Anônimo disse...

encheu de lirismo meu coração nevado!
abraços nossos.
amor,
isadora

Pata Negra disse...

Viremos dois copos com a ave Nida!
Um abraço de ave rara

André D'Abô disse...

caro camolas:
bom que a poesia tenha te desarmado...

dozita!!
bom saber que levei um pouquinho de calor nestes versos.

caro pata:
viremos!

abraços a todos.