sábado, 30 de janeiro de 2010

minutos de frivolidade: XXX




Do verão, valem mais
as noites que os dias.

A lua marcou
– às sete –
a hora mais alta
de seu cio.
Sua órbita reivindicou
para si
os mares
e todos os fluidos
escorreram para o leito
de seu ventre dilatado.

Em sua face branca
São Jorge deu folga
ao dragão
e acenou para mim.

Eu rezava
para que a cidade
apagasse suas luzes
e assim as mulheres
e os homens pudessem
sair para as ruas
e beber as águas
dos córregos
junto com outros
animais sedentos.

3 comentários:

Pata Negra disse...

E de inverno? Valem mais as noites ou os dias? Valerão tanto as noites como os dias porque a poesia tanto nasce do sol como da penumbra! Vale a pena atravessar o atlântico para beber um gole de poesia.
Um abraço na língua

F.S.M. disse...

"Em sua face branca
São Jorge deu folga
ao dragão
e acenou para mim."

Lindo.

André D'Abô disse...

caro pata:
que boa travessia!

cara fernanda:
fico grato, muito grato!