quinta-feira, 23 de setembro de 2010

minutos de frivolidade: XXXIX




Deixei um pedaço
de mim
em alguma soleira
do esquecimento.

Carreguei o verbo
soterrado de sentidos
- da cabeça
até a mão –
quase sem forças
para erguer as tintas
do abandono.

Deixo aqui
nesse balaio
essa parte
que já é outrem
para que seja
morta e comida.

Para que comam a carne
e chupem os ossos
e sobrem apenas
o cheiro da véspera
e a gordura
no canto da boca
como testemunho.

2 comentários:

Pata Negra disse...

que sobre apenas o cheiro da véspera para podermos farejar o amanhã! Bela poesia que vence o atlântico!
Um abraço das encostas de Aire (daqui vê-se o Rio)

André D'Abô disse...

super pata!!
daqui vê-se também o rosto que mira, vê-se portugal.
bons ventos o trazem.
abraços daqui!