domingo, 27 de fevereiro de 2011

minutos de frivolidade: XLIV



Na madrugada,
quando a abóbada
celeste e obscura
toca de silêncios
a ponta do meu nariz,
dá para quase escutar
as respirações frouxas
que medem os espaços.

Seu braço quente,
que pousa, repentino,
no meu peito,
é um continente
de existências.

As costas desertas, nuas.
O rosto peninsular
guarda as noites
dos faróis
e dos castelos
com paredes habitadas
por meus segredos
e desejos.
Fecho os olhos
e respiro os hálitos
que movem
minha carne
e meus ossos
desarticulados.
Os mesmos vapores
que sorvo do seu beijo.

O vento anima,
então,
o tempo e as folhas.

Somos nós.
Sou eu.
Você é.

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