terça-feira, 26 de abril de 2011

minutos de frivolidade: XLVIII






Minha cidade
tem uma menina
que ri sem motivo
nos caminhos baldios
porque rir
é coisa sem carência
de razões.

Ela espalha
seus brinquedos
nas calçadas
e forma palavras
que cata das nuvens
com as pontas dos dedos.

Os cães
vêm cheirar
seus pés
e lamber
suas mãos.

Ela dá de comer
a eles:
bolo de vento
com chá de poeira.

Somadas as farras
da manhã
com as vespertinas,
a menina
que habita os caminhos
da minha cidade
abre sua caixinha de relíquias
e guarda as memórias
diluídas
na aguarrás do esquecimento
junto daquela
moeda antiga
e do anel
que tirou do dedo
da rainha da Suécia.

As mulheres e os homens,
cansados do dia
e de suas
políticas de cimenteiro,
vão dormir
no canto da sua boca.

2 comentários:

isadora disse...

Compartilho contigo "este sonho feliz de cidade".
Um abraço apertado

André D'Abô disse...

dozita!
não tinha visto esse comentário! beijão!