terça-feira, 16 de agosto de 2011

minutos de frivolidade: LV




Na rua Salvador de Sá,
em frente à Escola do Estácio de Sá,
na tarde madura,
a luz vespertina
revelava mais os rostos
atrás dos volantes
do que as lanternas
e as latarias reluzentes.

Todos os olhos,
mesmo que atentos
e ocupados com o trânsito,
falavam sobre dramas de alcova
em voz monótona e franca.
Naqueles instantes,
tudo era tão comum
que, por uma volta completa sobre si,
a própria tarde
parecia uma história absurda.

Aquela luz
juntava cada um
a um fluxo orgânico de acontecimentos
e as horas
eram o avesso da aventura:
a vida servida como uma sopa morna,
requentada.