quinta-feira, 6 de outubro de 2011

minutos de frivolidade: LVII





Eu invento uma frase
que carrego como um patuá
contra o mau olhado e a boca daninha.

E toda manhã a recito
e toda manhã a esqueço.

Eu carrego uma frase
que reduza a opacidade,
mas ela não ilumina.

Eu a escondo do mundo
Para que ele não a decifre.

O mundo permanece
essa máquina óbvia
de entranhas transparentes.

Eu teimo com meus feitiços,
meus encantamentos de bolso.

3 comentários:

Eliane F.C.Lima disse...

Acabei de dizer em outro blogue - sempre as coincidências - que poetas transformam o mundo e tornam a vida menos cara, como uma espécie de mágica. Assim achamos um lugar-ninho. Perguntei se seria a poesia o paraíso. Vi em seu poema um tema tangencial. Parabéns.
Eliane F.C.Lima ("Literatura em vida 2". "Poema Vivo", "Conto-gotas").

Gilvan disse...

Bacana! tanto a poesia como a foto.
Gostei do seu blog, tbém! Um abço.
Visita-me:


http://formosacidadeepovo.blogspot.com/

André D'Abô disse...

eliana: obrigado pelo comentário. muitas vezes, a coisa funciona assim mesmo, como construção de ninhos. bom descobrir afinidades nesse mar.

gilvan: agradeço a visita.