sábado, 29 de outubro de 2011

minutos de frivolidade: LVIII






                                                         Para a filha ou filho de Mira e Nico

1.
No ônibus,
A pequenina dormia frouxa
No colo de sua mãe
Que tinha uma fisionomia cansada
E os olhos preocupados.
A mãe pegou a mão da miúda,
Beijou e cheirou com força
Como quem toma um fôlego fundo.

2.
Minha mãe
Se debruçou sobre os meus ombros
De homem feito
E me abraçou apertado.
O gesto era a soma de todos os cuidados acumulados
No labor interminável
De me alimentar.

3.
Dona Sandra
Se emaranhava nos cabelos de Isis
E tudo fazia sentido.
Naquele labirinto de fios negros,
Era difícil entrever a cicatriz
Que confundia seus sorrisos.

4.
Érica Pedroza
Assumiu prematuramente
A tarefa de ensinar Kelly a cuidar de seus cadernos.
Seu caderno, hoje, é absolutamente impecável
E as duas falam uma língua
Que inventaram
E que só elas entendem.

5.
Marcio Rosa
Deixou a profissão para cuidar de Tiago e Fafá
E se tornou mestre inigualável
No ofício de poeta.
Compõe pequenas pistas de poesia
Nas frestas do cotidiano
E nos álbuns de fotografias.

A história do mundo
É mesmo a história
Dessa gente maluca
Que vive perigosamente
Que faz do amor a causa urgente.

4 comentários:

Anabel Lee disse...

Muito bom!!!!

André D'Abô disse...

bel! nem sabia que você lia meu blog!

Anônimo disse...

Que lindo!
Paula.

André D'Abô disse...

valeu, paula!!