segunda-feira, 29 de outubro de 2012

os balcões


Não há, em definitivo,
Razão aparente para que essas coisas sejam ditas

Nesta hora,
Diante de todas essas coisas em movimento,

Nesta mesa,
De frente para o copo de suco de laranja.

Mas neste exato momento,
Por incrível que pareça,

Os balcões dos bares
Acumulam manchas dos fundos gelados dos copos

E torrentes de agonias
Estão debruçadas sobre os cotovelos

Que articulam a alavanca
Para que ocorra o próximo gole urgente.

Tantas são as solidões
Que se precipitam na algazarra:

Acordam mortas todo dia
E todo dia dormem em delírio.

2 comentários:

Thiago Aquino disse...

Bonito, e triste... Abraço, irmão!

André D'Abô disse...

valeu, Thiagão! abraço!