sexta-feira, 2 de novembro de 2012

tarde de maio


Tarde de maio, última,
que peca,
que tira o pecado,
borboleta transparente
que voa entre os carros
estacionados,
a cidade se enrosca
em teu colo de azul puríssimo.

Tarde de maio, última,
recortada
de horizontes estreitos,
fresca de luzes brandas,
turba de agonias
esquecíveis,
a cidade enche os pulmões
com teu ar levíssimo.

Tarde de maio, última,
discreta,
que traz as pálpebras
cansadas, a meio-pau,
bandeira de um império
submarino,
a luta nos campos
se abranda com teus cheiros.

Tarde de maio, última,
Adormeço contigo,
contigo anoiteço.

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