segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

começos


Minha oficina corriqueira
nem minha é.
Pertence a alguém
que caminha
do outro lado da rua
e a possui sem saber.

Eu ergo suas portas
– nem pesadas, nem leves,
mas estridentes, marcadas
por muitas outras mãos –
e a habito de invenções
que descubro, esquecidas.

Encontro objetos
de antes do tempo
em que ação e discurso
tivessem sido extraviados
mutuamente, fatalmente,
lamentavelmente.

Feitura de homo faber,
fabricação de sentido.
É mais que oferenda
esse trabalho em que insisto;
é promessa, obrigação,
dever de começar.

2 comentários:

Thássio Conceição disse...

Muito boas suas poesias cara, e bem claras.
Esse tipo de poesia que gosto de ler,
qualquer dia passa no meu blog pra ver
se vc curti. http://oissaht.blogspot.com.br/ ,
fica na paz.

Paulo Guimarães disse...

Acabei de descobrir que também tenho uma tal oficina - ou será que isso contamina?...