domingo, 28 de abril de 2013

vícios


No tempo de antes
das mulheres
e dos homens
separarem
corpo
e alma,
não estava despercebido
o espírito.
Impossível não saber
do espírito.
O corpo – é mais provável –
que se diluía em brumas
de sonho,
de invenção.

É estranho agora
eu ter o braço
e as costas doloridas
porque essa massa
pouco articulada,
constrangida por vapores
e líquidos conturbados,
virou tema
de consultório médico,
anotado em bulas
e receituários,
uma cela, quase,
não de prisão,
mas de mosteiro.

Se eu pego
o sujeito
que ousou pensar
uma Ideia pura
uma Ideia-ideia,
enveneno seus vícios de penseiro
com a ausência
dos cheiros e dos carinhos
das mulheres
e dos homens
mais belos,
mais fogosos,
mais carentes de razão,
enfio-lhe
por entre as pernas
sua sina de andar
com os pés no chão.

Nenhum comentário: