sábado, 18 de maio de 2013

a cidade


As mulheres
e os homens
do meu tempo
– pobres
de nós –
nasceram possuídos
pela cidade.

Seus olhos se abrem
em esquinas,
suas mãos
buscam
a poeira nas portas
das casas.

Bebemos a multidão
em goles ligeiros
de café
amargo
doce
requentado.

Choramingamos
nas trevas
que escorrem
para baixo
da cama.

É a cidade
que me sacode
ao pé da cama,
com seus rumores
e ventanias,
e me acorda
pela hora da morte
pelos olhos da cara.

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