segunda-feira, 29 de julho de 2013

as horas

Não é o rosto
cambiante
esmaecido
no espelho
que angustia,
mas o tormento
das horas medidas.

A última meia-hora
dói mais
que o apodrecimento
de centenas de coisas vivas,
na última meia-hora.

Algumas dúzias
de fios de cabelo
caem,
o carro bate,
o gato escorrega
do parapeito
e agora só tem
quatro das sete vidas,
o sangue escorre
de muitas feridas,
muitos corpos
não suportam
a última gota,
muitos outros
se afogam
em fossas
e festas,
notas soam
dissonam
harmonizam,
muito gozo,
muito choro,
muito riso,
muito sono,
muito sonho.

Não doem mais
que a lâmina sutil
que fere sem sangrar
que mata sem ferir.



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