sábado, 20 de julho de 2013

carta ao pai

Já faz algum tempo
Que todos os homens grisalhos
Deram de desfilar teu rosto
Pelas esquinas

Em cada carro veloz
Em cada ponto de ônibus
Em cada sinal fechado
Vejo-te e somes ligeiro

Chego a olhar mais longamente
Ensaio um aceno, mas desisto,
Olho novamente e te sigo
E quando alcanço és outro

Somente na memória é que duras
E dura meu tempo de menino
Em que eu vigiava cada detalhe
Para me tornar igual a ti

Não sei qual trapaça do entendimento
Qual astúcia da razão ou da lembrança
Moveu o tempo em surdina
E fez de tua ausência, esta onipresença fantasmal

Povoas minha sombra
Meu jeito de sentar e de sorrir
E mesmo este rosto que vacila diante do espelho
É o avesso de tua assombração.


2 comentários:

Thiago Aquino disse...

Fiquei emocionado agora... Obrigado por nossa amizade!!

veronice disse...

vc é muito bom!